Duas dimensões da depressão no tempo
- 4 de ago. de 2020
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Atualizado: 18 de ago. de 2020
Pacientes com depressão geralmente definem o seu estado por sentimentos mais dolorosos e contínuos: tristeza, apatia, incapacidade, pessimismo, culpa, insegurança, medo, indisposição e talvez imaginem que a ação de tratamentos para depressão comece por alívio desses sintomas. O sofrimento que a depressão provoca faz com que a pessoa queira lutar contra esses sentimentos contínuos, como se eles fossem os culpados.
Mas geralmente a melhora desses sintomas ocorre depois da mudança de outro aspecto da depressão que geralmente passa despercebido pelos pacientes porque se manifesta apenas de forma momentânea: o modo como as emoções afetam a consciência, o impacto que cada nova emoção exerce na consciência.
Pense no ânimo como o produto do repetido impacto de emoções na consciência. Todo microimpacto de emoção tem um nível de processamento automático, primitivo, condicionado, mas nem todo impacto passa pelo processamento superior, elaborado, equilibrado, que evolui a cada nova interação e que é constantemente aprimorado.
A oportunidade de alimentar o processamento superior está apenas no momento do impacto da emoção. É preciso atenção ao momento em que a emoção surge na consciência. Exercitar a atenção aos processos psíquicos pode ser um passo importante na direção de perceber esses "momentos", uma mensagem que se encontra também em técnicas de meditação, em princípios filosóficos do estoicismo ou no exercício de atenção de Wells, que faz parte da abordagem metacognitiva.
Se percebemos, tardiamente, apenas o estado de ânimo que foi produzido após o processamento inicial da emoção, perdemos a oportunidade de questionar e refinar a interpretação da emoção ou de elaborar atitudes mais adequadas e continuamos presa de processamento automático.
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