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Quando alimentar a ideia depressão-doença e quando questionar suas emoções?

  • 4 de ago. de 2020
  • 3 min de leitura

Atualizado: 18 de ago. de 2020

A ideia hoje dominante de "depressão como doença" contribuiu para que muitos que antes sofriam em silêncio passassem a buscar ajuda, mas também gerou excessos no uso de medicação e na atribuição de caráter de "anormalidade biológica" a qualquer "dor psíquica", que podem fazer com que medicações percam efeito a longo prazo, criando uma espécie de "enfraquecimento psíquico da população".


A ideia de depressão-doença parece ser validada quando se ouve falar de casos de pessoas que sofriam há anos com humor deprimido e magicamente mudaram após uma medicação.


Mas há evidências epidemiológicas de uma espécie de "enfraquecimento psíquico" da população quando se olha para índices de refratariedade e recorrência da depressão ao longo de décadas. Tirar uma conclusão dessas: atribuir parte de uma transformação social ao longo de décadas a um fator específico, é algo muito difícil, mas a preocupação é válida.


Mesmo que essa conclusão fosse definitiva, que excessos no uso de medicações fragilizem a população, isso não quer dizer que se deva deixar de usar métodos biológicos para tratamento de depressão, apenas equilibrar seu uso. Esse equilíbrio pode começar corrigindo, com um trabalho educativo, um mal-entendido que acabou sendo transmitido junto da ideia de "depressão doença".


Não olhe "sofrimento psíquico" como "anormalidade biológica". Se um medicamento que aumenta serotonina produz alívio de sofrimento psíquico, isso não significa, de maneira nenhuma, que o sofrimento era produzido por deficiência de serotonina. Tranquilizantes, por exemplo, aumentam a ativação de outro neurotransmissor chamado GABA, mas ninguém fala que "Nervosismo" é deficiência de GABA.


Eu atendi pacientes com depressão resistente que claramente cultivavam essa ideia, dizendo "minha depressão é química" e não investiam em nenhum outro tipo de questionamento ou busca de compreensão de sua condição, colocando toda sua esperança em alguma mágica biológica e ignorando hábitos negativos que em alguns casos eram bastante evidentes.


O processo de amadurecimento e aprendizado pelo qual todos temos que passar diante da sucessão inevitável de frustrações e perdas que fazem parte da vida é lento, difícil e doloroso. Não hesite em procurar ajuda se tiver dificuldade. Buscar fortalecimento não é sinal de fraqueza.


Uma das dificuldades do aprendizado emocional é que ele é fruto de uma combinação de conhecimento e hábito. Para que algo positivo se torne um hábito ele precisa ser cultivado e quando um hábito negativo está estabelecido ele se torna um vício, dificultando sua correção.


Não é apenas o modo como reagimos a perdas, traumas e frustrações que forma o estado de ânimo, mas os hábitos que formamos no modo como reagimos a emoções e pensamentos.


Há certos hábitos mentais negativos que se tornam tão automáticos que a pessoa não percebe que pode mudá-los ou que estão na origem de estados de sofrimento psíquico que acaba se encaixando nas categorias de depressão ou ansiedade, por exemplo.


A correção desses "hábitos mentais negativos" requer não apenas entender sua importância, mas identificar no seu dia, os momentos quando esse "equilibrio entre emoção e razão" está sendo processado e cultivar uma nova relação entre emoções e razão, até que o novo padrão tenha se tornado um hábito. A essa função cognitiva chamamos de "regulação emocional".


Um médico que orienta tratamento da depressão, por exemplo, pode contribuir com informação educativa sobre regulação emocional, como procuramos fazer nos serviços GET-EMT, mas fontes poderosas de aprendizado emocional também podem ser encontradas no convívio com diferentes culturas, tradições, religiões ou mesmo nos campos da arte, literatura e filosofia.

 
 
 

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